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O Festival Sunsplash One Life, em segunda edição, irá passar por sete cidades brasileiras levando sete atrações internacionais, tendo início no dia sete de janeiro. Coincidência ou não, o fato é que se trata de uma grande celebração da música jamaicana em terras tupiniquins.
As atrações agradam desde aos que apreciam o reggae tradicional da época de Bob Marley, aos que curtiram o dancehall dos anos 80/90. São eles The Wailers (banda que acompanhou Bob Marley), Kymani Marley (filho de Bob), Big Mountain, Carlton Coffie (ex-vocalista do Inner Circle), Pato Banton, Duane Stephenson e Papa Winnie.
DATAS CONFIRMADAS
07/01 - Guaratuba/PR
Café Curaçao
08/01 - Florianópolis/SC
Life Club
09/01 - Rio de Janeiro/RJ
Circo Voador
13/01 - São Luís/MA
Tropical
14/01 - Fortaleza/CE
Biruta
15/01 - Recife/PE
Clube Internacional
16/01 - São Bernardo do Campo/SP
Estância Alto da Serra
Fonte: Surforeggae
A propagação do reggae para além das fronteiras jamaicanas é algo que vai além do compreensível, pois como seria possível um pequeno país da América Central cativar tantos outros povos com sua música, que tinha tudo para fazer parte apenas do seu folclore?
Porém quis o destino que assim fosse, ao colocar na ilha um garoto chamado Robert Nesta Marley, e o resto vocês todos já sabem.
Algumas nações incorporaram elementos reggae em sua música, outras simplesmente como uma espécie de irmão mais novo que anda lado a lado com as musicas e costumes, o que é o caso do Brasil.
A identificação dos brasileiros com o reggae tem uma razão de ser talvez pelas nossas própias raízes, que vêm de uma época de escravidão que nada deixou a dever aos países africanos, ou também pelo canto dos escravos, que muito se assemelha com o reggae, e por fim pela mistura de raças, tendo também o Brasil vários estados litorâneos como a Bahia e o Maranhão, por exemplo, que mito se parecem com a Jamaica.
O reggae no Brasil sempre sofreu uma certa indiferença do poder e da mídia, que o encaravam como mais uma música de favelados, sendo portanto insignificante ao ponto de lhe darem as costas. Mas como diz o ditado: “Nada como um dia após o outro” para vermos estas mesmas pessoas que nunca imaginaram o poder que o reggae tem correrem para pesquisar sobre ele, para não ficarem para pesquisar sobre ele, para não ficarem alheios ao que está acontecendo no Brasil com bandas e cantores proliferando em cada esquina, e já contando com um público cativo, coisa que jamais coisa que jamais imaginaram que iria acontecer.
No final dos anos 70, Caetano Veloso e Gilberto Gil levantaram a primeira bandeira com o símbolo do reggae. Foi no inicio dos anos 80 que começaram a surgir bandas, até certo ponto corajosa na época, pois tocavam o reggae, até então quase que um ilustre desconhecido para a maioria das pessoas. Uma das pioneiras veio de Pernambuco: o Grupo Karetas, que em 1983 lançou o LP “Fogo na Terra”.
Os Paralamas do Sucesso lançaram em 1985 o disco “Cinema Mudo”, usando reggae como base principal, e alcançaram sucesso nacional, e a partir daí vieram “O passo do Lui” e o clássico “Selvagem”, que lhes rendeu um convite para tocarem num festial em Montreaux, cujo show foi documento no LP “D”. Depois de alguns discos sem ispiração, na tentativa de mudarem de estilo, voltam agora com “9 Luas”, reconquistando o espaço.
Usei Paralamas como exemplo por que eles foram peças fundamentais para abrir as portas para os muitos que viriam a seguir, e muitas destas bandas infelizmente ficaram no primeiro disco. Muitas outras, porém, firmaram-se no decorer do tempo, ganhando fama e respeito nacional. A banda carioca Central Africana ficou no lançamento do disco de mesmo nome em 1988, seguida pelos baianos do Terceiro Mundo como o excelente “Marley Vive”. Batalhadores como o “Guitarreiro” Luiz Vagner contribuíram muito para que o reggae se propagasse com os LPs “Ao Vivo” e “Conscientização”.
Outro grande nome que engrandece o reggae brasileiro é Edson Gomes, da Bahia , já cm quatro discos lançados. Maranhão nos deu a competente Tribo de Jah e Fauzy Beydoun, que assim como o Cidade Negra já tocaram no maior festival de reggae do planeta, o “Sunsplash”, na Jamaica.
Mas não paramos por aí. Como podemos ver e sentir, o reggae tem e terá sempre novos representantes neste país, cada vez mais se aprimorando e conseguindo novos adeptos para som dos reis.
A título de ilustração, a seguir relacionamos algumas bandas e cantores já com disco lançado, e para quem quiser conhecer mais a fundo o reggae do Brasil vale a pena tentar conseguir os seus discos.
Bandas: Obina Shock, Walking Lions, Nomad, Omeriah, Akundum, Skank, Etiqueta Social, Conexão Jahmaica, Nadegueto, O Rappa, Sr. Banana, Java, Negril.
Cantores: Eddie Brown, Lumumba, Rãs Bernado, Lazzo, Toaster Eddie, Cacao Gambi, Nabby Clifford.
Como vemos o reggae nacional está muito bem servido.
O som que saiu de uma pequena ilha do Caribe para dominar o Mundo! "Os piratas me capturaram. Me venderam para navios mercantes", desabafa Bob Marley em seu hino.
Num dos capítulos mais vergonhosos da história mundial, cerca de 400 milhões de Africanos foram arrancados de seu continente para trabalhar como escravos na Europa e nas Américas.
Essa mão de obra barata e qualificada foi de extrema importância para a Jamaica. A ilha recebeu sua primeira leva de escravos em 1509, quinze anos depois de ser descoberta por Cristóvão Colombo - a população indígena nativa tinha sido dizimada em poucos anos. Os novos moradores chegaram trazendo cultura e cânticos próprios.
Do cruzamento de sua música com as tradicionais canções piratas nasceu a primeira identidade musical da Jamaica O MENTO.
Um corte brutal para os anos 50.
A Jamaica escuta mento associado ao calipso e às steel drums de Trinidad; a turma mais jovem prefere escutar rhythm´n´blues americano, captado por rádios de alta potência. Os clubes populares por sua vez, promovem bailes com big bands nativas - em que se destacam o trombonista Dom drummond, e o guitarrista Enerst Ranglin - trazendoum repertório com muito Duke Ellington, Glen Miller e outros sultões do swing.
Neste cenário marcado pela diversidade musical fermentam as mudanças que sacudiram a Jamaica, a primeira delas ocorreu na metade dos anos 50, patrícios mais espertos trocam as bandas pela música mecânica. Nome de dois deles : Clement Coxsone e Dodd Duke Reid, donos dos primeiros sound systems(uma espécie de discoteca ambulante). O repertório de suas festas é regado pelos melhores sons do rhythm´n´blues dos EUA. Quem tem os discos mais raros ganha a preferência do povão. Houve muito branquinho(leia-se Chis Blackwell, futuro patrão de Bob Marley) ganhando um bom dinheiro com viagens aos Estados Unidos à cata de vinis raros de cantores americanos. Um caso parecido com o que acontece hoje no Maranhão(capital nacional do reggae) que tem seu mercado marcado pelas radiolas.
Duke Reid e Dodd tornam-se donos de estúdios na Jamaica, no caso de Dodd ele funda o Studio One, celeiro dos maiores artistas de reggae de todos os tempos.
Pelo Studio One passaram Bob Marley & The Wailers, Burning Spear, Dennis Bronw e até os gordinhos do Inner Circle
A partir dessas mudanças no estilo de musica local, surgiu um ritimo chamado SKA que nada mais é do que uma pajelança dos estilos musicais que embalavam a Jamaica.
O Ska ainda produz um novo tipo de consumidor: os rude boys, delinqüentes saídos do interior da Jamaica para virem morar em TrenchTown, a favela de lata.
O sacolejo envolvente do Ska impulsionava vários novos artistas, em 1962 Jimmy Cliff, então com 14 anos, emplacaseu primeiro hit.
O novo ritimo ainda nem havia esquentado o salão quando surge o Rock Steady, que adiciona a batida rock ao tchaca tchaca do Ska. De curta duração, porém um brilho intenso revela ao mundo os talentos Desmond Dekker e Millie Small, entre outros - o reinado do rock steady marca o último suspiro de genialidade dos estúdios de Duke Reid.
A música Jamaicana dá sua grande e definitiva virada no final dos anos 60, o pai da criança é um tal Lee Perry, um chapeleiro doido saído dos domínios de Coxsone Dodd. Lee desacelera a batida do ska e emprega um bando de músicos locais, desconhecidos e doidos para se enfurnar em um estúdio.
E caso você goste de lendas, eis a melhor delas para justificar o nascimento do Reggae: houve na Jamaica um verão escaldante e, com pena do povo que se desidratava ao dançar, os músicos decidiram aliviar e tocar o ska mais devagarinho. Nascia assim uma música que iria ganhar o mundo: O Reggae!
A resposta é sim, e reggae dos bons!
Ao chegar na Islândia, achando que só iria encontar gelo e estações de esqui pela frente, você poderia passar pela frente de algum pub a ver a galera do Hjálmar tocando!
A banda faz um reggae de ótima qualidade, mostrando para todo o mundo a força e a universidade do reggae. Os caras tem 2 cds lançados: Hljóolega afstaõ(2004) e Hjálmar(2006)
Por que o reggae é um gênero dominado pelos homens? As artistas mulheres de importância na história do reggae podem ser contadas nos dedos e mesmo assim a maioria é composta de intérpretes. Poucas compuseram suas próprias canções. E na era do dancehall, o contigente feminino do reggae se tornou ainda menor, ainda que artistas como Lady Saw (foto abaixo) tenham mostrado que elas podem fazer tudo o que os homens fazem.

Mas na Jamaica qualquer um iria rir de tal conceito do sistema a respeito das mulheres, que as colocasse como cidadãs de segunda classe. Quando se fala em status social as mulheres não são consideradas inferiores aos homens, pelo contrário. Os empresários jamaicanos consideram as mulheres mais inteligentes, honestas, disciplinadas e trabalhadoras que os homens. Recentes pesquisas indicam que as mulheres que cursam ou cursaram faculdade formam um contingente duas vezes superior ao dos homens na ilha que originou o reggae. (foto ao lado: Sister Carol)
Então por que tão poucas mulheres na música? Uma das razões é que os papéis da mulher e do homem são fortemente estabelecidos na Jamaica. E muitas vezes são as próprias mulheres que ajudam a manter estes papéis. Homens que se aventuram nos campos femininos, por exemplo, no trato com filhos, são chamados por elas com apelidos como 'Mama man'. Além disso o reggae sempre foi mais popular entre os homens do que entre as mulheres jamaicanas, que, por alguma razão, parecem preferir a soca (calipso moderno de Trinidad e Tobago) e a soul music. 
Alguns atribuem essa situação à manjada teoria da dominação masculina no Terceiro Mundo. E os rastafaris têm sido especialmente criticados por sua visão do papel da mulher. Peter Tosh foi um rasta que defendeu as mulheres com veemência: 'O sistema (ou shitstem, como ele chamava) foi desenhado para manipular as mulheres e fazê-las aparecerem como inferiores, incompetentes e sem inteligência. Não respeito pessoas que não respeitam as mulheres. As mulheres e sua dignidade têm de ser respeitadas'.
Outra razão é a tendência entre as jamaicanas de terem filhos muito novas. E a Jamaica tem uma das maiores taxas de mães solteiras em proporção à população em todo mundo. Assim elas têm que se tornar responsáveis por uma criança muito cedo e a música nunca foi uma carreira segura. Coxsone Dodd, talvez o maior produtor da história do reggae, comenta sobre Hortense Ellis (ver capa do álbum abaixo), uma das grandes divas do ritmo de Jah nos anos 60 e 70: 'Ela foi uma das melhores - entre homens e mulheres - que já passaram por aqui. Mas teve filhos demais." Ela tinha provavelmente cada pedaço do talento de seu irmão Alton (uma das grandes vozes da história do reggae), mas nunca conseguiu - como ele - se dedicar totalmente à musica. Depois de criar seus filhos ela reativou sua carreira no começo desta década e ainda está gravando e fazendo shows.
Desmond Young, presidente da Federação de Músicos Jamaicanos, coloca a questão desta forma: 'Quando uma artista consegue dois sucessos nas paradas e você assina um contrato com ela, acontece uma gravidez que invalida o seu contrato. Isso significa que o estúdio tem que refazer todo o trabalho e diminuir o ritmo de shows e gravações. Não estou lutando contra o direito da mulher engravidar, mas elas têm que planejar a sua carreira antes de pensar nisso. Na Jamaica um artista tem que se submeter a uma maratona para conseguir um contrato e divulgar o seu trabalho. Ele precisa ir a cada apresentação de sound system (que acontecem todo dia) e praticamente dormir ao lado da caixa de som. Que mulher conseguiria fazer isso com centenas de homens tentando cantá-la e chamando a atenção dela o tempo todo? Os artistas precisam viajar muito e todo esse trabalho é muito duro. Você já viu um desses estúdios em que esses artistas gravam os seus discos? Se parecem com uma prisão, com 300 homens vagando pelos jardins..."
Lloyd Stanbury, advogado acostumado a trabalhar com artistas, dá a sua visão: "...os produtores preferem lidar com homens porque as mulheres são mais espertas, voce não consegue enganá-las. As mulheres aqui tem mais estudo e esses produtores tem mais dificuldades em lidar com isso, pois estão acostumados a sempre fazer negócios do modo mais informal possivel."
Traduzido do livro "Reggae Routes" de Kevin Chang e Wayne Chen. Fotos: Jammin' Reggae Archives.
Nota: Passando para o Brasil, tambem é raro ver uma artista de reggae feminina que lidere alguma banda por aqui. Mas nesse particular as coisas têm melhorado, com Célia Sampaio, por exemplo, Luciana Simões, ex-vocalista da banda Mystical Roots, o duo de vocalistas da banda curitibana Namastê e outras. No entanto, aqui no Brasil, o reggae é um gênero dominado por homens, ao contrário da MPB, por exemplo.
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